Caridade, palavra tão utilizada, pela maioria de nós hoje em dia, mas quando nos aprofundamos, sabemos exatamente o que quer dizer e o que significa caridade?
Não podemos confundir caridade, com solidariedade, com o fato dar esmola, objetos, roupa, comida que esteja sobrando para nós, pelo simples fato de dar, doar. A caridade advém de algo muito mais profundo, que praticamos a todo o momento entre nós, nos nossos relacionamentos diários com nossos irmãos, independentes de raça, credo, cor, situação financeira etc.
Nosso querido codificador no livro dos espíritos, na questão 886, foi-nos muito feliz na sua pergunta sobre “Qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus???”.
R: - Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.
Kardec, no seu entendimento da resposta, faz-nos o comentário desta questão: “ O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem que está ao nosso alcance e que gostaríamos que fosse feito a nós mesmos...”.
Pelas palavras de Jesus: ” Amai-vos uns aos outros, como irmãos”.
Trabalhando ainda na questão do Kardec, vamos ver a resposta por partes:
“Benevolência para com todos...”, fazer o bem para todos, tratar a todos com o bem, não fazer distinções, o que nos é muito comum, muitas vezes com pessoas superiores a nós, estamos cheios de amabilidades e para com pessoas em inferioridade, tratamo-las com desdém, não damos o valor e a atenção necessária a este irmão.
“Indulgência para com as imperfeições alheias...”, temos de aprender e entender, que todos somos imperfeitos, cada um a sua maneira, Jesus nos mostrou que apesar de ser muitíssimo superior a nós, nos entendia muito bem, sabia de nosso estado de evolução, das nossas imperfeições, da nossa cegueira quanto a vida futura e assim mesmo veio a nós para ajudar-nos em nosso crescimento espiritual, que melhor exemplo poderia nos dar quanto a indulgência do que vir a nós?
“Perdão das ofensas.”, Perdoar, em nossa concepção, o maior e mais sublime exemplo de amor e caridade, saber perdoar nossos irmãos próximos, nossos inimigos e principalmente a nós mesmos, porque muitas vezes, até perdoamos a todos, mas esquecemos de nos perdoar por nossos erros.
Na continuidade, caridade pode ser concebida de um entendimento bastante simples, dar e doar (se) de coração, sem humilhar àquele que recebe, sem enaltecer àquele que dá, qualquer coisa, ato, gesto, atenção, doação material, doação espiritual, amor, educação, conhecimento, relacionamentos diários, tudo, tudo envolve a caridade e o amor.
Muitas vezes, nos questionamos, sobre caridade material e caridade espiritual, o que é uma e o que é outra. Caridade material ou doação material serão as duas a mesma coisa, tem o mesmo sentido? Podemos dizer que realmente praticamos a caridade material nos dias de hoje, não será simplesmente uma doação, muitas vezes de material ou objetos supérfluos, que estão a sobrar em nossas casas?
Um exemplo que podemos tomar por caridade material é a parábola do óbolo da viúva (Lucas, cap XXI, v. de 1 a 4 e Marcos, cap. XII v. de 41 a 44), que aqui reproduzimos:” Jesus, estando sentado defronte o gazofilácio, considerava de que maneira o povo nele atirava o dinheiro, e que várias pessoas ricas tinham colocado muito. Veio também uma pobre viúva que nele colocou somente duas pequenas moedas. Então Jesus tendo chamado seus discípulos, lhes disse: Eu vos digo em verdade, esta pobre viúva deu mais do que todos aqueles que colocaram no gazofilácio; porque todos os outros deram de sua abundância, mas esta deu de sua indigência, tudo mesmo o que tinha e tudo o que lhe restava para viver.” Perante isto, ponhamos a mão na consciência, quantos de nós, já parou na rua, vendo seu irmão passando frio, sujo, maltrapilho, retirou seu casaco e o deu ao mesmo? Quantos de nós já não pensou - Ah, se eu tivesse um pouco mais de posses, poderia fazer isto ou aquilo. - Procuremos amparar, ajudar materialmente, ser solidários, mas não façamos confusões sobre o que seja caridade material ou simplesmente doação. Caridade material significa ter, e não deter, ter é o que nos é necessário para vivermos com nossa família, executarmos nosso trabalho, estudos, projetos e etc., em outras palavras, viver dignamente (moradia, alimentação, saúde e educação); reter é o supérfluo, é o que não necessitaríamos para viver, são as sobras, que em nossa mesquinhez, orgulho, ego e inferioridade acumulamos, é a parte de outrem, que está em nosso poder, aprisionado sem render frutos a sociedade e comunidades de modo geral.
Outro dia li em um livro sobre uma passagem de Pedro que dizia o seguinte: “Não tenho ouro e nem prata, mas o que tenho, dou a ti”. Para uns, certamente rirão e dirão: - então não tens nada e não darás nada. – para outros, será o suficiente para que saiam do seu poço e possam crescer como seres humanos que são.
Uma Pergunta que temos de nos fazer: A nossa sociedade, cultura e história através dos tempos, desde os mais remotos, não nos ensinou sempre a reter? E quem são os culpados por isto? Nós mesmos, pois esta sociedade, cultura e história fomos nós que a fizemos, através de nossas reencarnações.
Senhores(as), está na hora de mudar nosso modo de pensar ,ver e agir, está na hora de mudar a educação que damos aos nossos filhos, e a sociedade em que vivemos.
Só conseguiremos isto, com nossa transformação íntima, deixarmos de lado o nosso egoísmo, nos libertarmos do ego que nos prende ao materialismo excessivo e isto só se consegue com muita luta, perseverança, paciência e amor.
Vejam bem, as coisas materiais, são-nos indispensáveis para nossa estadia aqui na terra, pois delas precisamos para viver dignamente; o uso destas coisas materiais, isto não é condenável, o que é condenável, é o abuso das mesmas, é o egoísmo que nos prende aos prazeres da matéria, que causam prejuízos a outrem.
Um questionamento que nos surge à mente, respectivo ao mestre Jesus, seria se ELE, hoje encarnado, teria o mesmo posicionamento dos ensinamentos de 2000 anos atrás, seria a mesma coisa? Será que os seus ensinamentos não estariam ultrapassados, com o advento da doutrina espírita que o irmão Kardec veio nos esclarecer. Ou a doutrina veio corroborar os seus postulados, nos mostrando seu verdadeiro significado? Acreditamos que as duas coisas são uníssonas quando se trata destes postulados.
Os ensinamentos do mestre são atemporais, pois os mesmos serviam no passado, servem no presente e servirão no futuro, pois o que ocorre na maioria das vezes, é que o homem está no caminho errado e não os postulados de Jesus estarem ultrapassados. Kardec, veio a corroborar as idéias ensinadas a nós há 2000 anos, veio trazer nova luz sobre este assunto; porque o irmão maior, não pregava uma religião, ele pregava as suas idéias acumuladas em diversas encarnações sucessivas na prática do bem, da caridade e das transformações das sociedades sobre as quais tinha responsabilidade com sua evolução moral, ética e espiritual; foi o homem no seu percurso, desviado das verdades que estigmatizou estas, adaptando as religiões, modificando-as conforme suas necessidades e seus caprichos;
Kardec, com auxílio dos amigos do plano espiritual, mostrou-nos estas idéias, as mesmas sob o ponto de vista escrito, mas diferentes sob os olhos da verdade; nos seus escritos o codificador nos mostrou que a mesma é uma filosofia de vida, são atitudes do dia a dia,
É uma ciência que mostra o nosso futuro, os seres espirituais que somos, sem religiosidades, fanatismos e crenças ridículas a que o homem sempre cultivou nas suas existências terrenas, e como base disto, sob o apoio incontestável esteve nesta codificação, às bases ensinadas por um Galileu, com suas idéias revolucionárias, mesmo para os dias de hoje, pois, experimentemos tentar aplicar estas leis, ao mais convicto espírita, e veremos que são dificílimas, se não impossíveis de serem seguidas, pois as mesmas tratam de convívio entre irmãos , caridade e amor na sua mais terna verdade.
Agora, vamos trazer tudo isto para nossos dias, dentro de nossas casas, nossas sociedades, na nossa atualidade; será que aprendemos as lições deixadas? Quantos de nós as aplicamos? Para nós espíritas, que tanto falamos em caridade, realmente a praticamos?
Na maioria das vezes, vemos irmãos nossos, integrantes das fileiras espíritas e nós mesmos, preferir puxar dinheiro da nossa carteira e dar a um mendigo, do que fazer um carinho no mesmo, abraça-lo, dar-lhe a devida atenção, conversar com ele. A prática da caridade, não se resume simplesmente praticá-la, fazendo de conta que se é caridoso; nada do que é feito contra a vontade ou de coração tem sua validade efetiva, vemos irmãos praticando atos de caridade, contra sua vontade, simplesmente porque se não os fizer o que os outros poderiam dizer dele.
Nas sociedades religiosas, estamos acostumados e educados a esperar que o necessitado venha até nós, mas será que isto está certo? Não deveríamos ir praticá-la fora de nossos templos? Buscar os irmãos e seus problemas, como tantas organizações estão fazendo atualmente, onde muitas destas se unem para combater males sociais, que nos afligem. Estes males, são os mesmos que degradam, humilham e tiram a dignidade de viver do ser humano.
Partindo deste princípio de atividade, nosso trabalho de caridade para com os irmãos seria o de investir na responsabilidade social, como a educação que desperta a força interior do Homem, que eleva a sua auto-estima, desperta-o para a cidadania , retira do Homem a pobreza de espírito, reorientado-o sobre os valores morais, éticos e de responsabilidade sobre a sociedade.
Mas não podemos nos enganar, que somente a educação seja a causadora dos nossos males sociais, a distribuição da renda também se faz necessário, pois sem a mesma não adianta educar, se o indivíduo não tem condições de suprir suas necessidades mais básicas (saúde, alimentação, repouso, segurança e etc).
Certa feita, li em um livro sobre um comentário da Madre Teresa de Calcuta, onde era questionada se não deveria ensinar os Homens a pescar em vez de somente dar aos mesmos, ao que ela respondeu: “ Como ensinar a pescar, se essas pessoas não tem forças para segurar a vara de pescar? Enquanto elas não tem condições, temos de dar e ajudar.”
Aqui entra a nossa parte, temos de dar também condições para que isto seja executado, pois se os nossos governantes, não se preocupam com o social, somos todos responsáveis diretos por isto, sejamos empreendedores e botemos a mão na massa para mudar este quadro que se desenha.
Para exercer a caridade, basta começar, é fácil e é simples. Pelo texto acima, percebe-se que temos muito trabalho pela frente.
Abraços a todos e que estejam em paz.
Leandro.
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